Desenvolvimento infantil e adaptações curriculares

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Uma lousa sem nada escrito. No canto inferior esquerdo, uma mão segura um giz branco. Fim da descrição.
Atraso do desenvolvimento infantil está associado a várias condições da infância (Foto: Divulgação)

Por: Vanessa Madaschi*

Estima‐se que, em todo o mundo, 200 milhões de crianças menores de cinco anos de idade estão sob risco de não atingir seu pleno desenvolvimento.1 A prevalência do atraso do desenvolvimento infantil é, em grande parte, uma incógnita, mas dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que 10% da população de qualquer país é constituída por pessoas com algum tipo de deficiência, com uma taxa de 4,5% entre aquelas com até cinco anos de idade.1

No Brasil,2 foi detectada diminuição da prevalência de crianças com atraso do desenvolvimento, o que se justifica pelos avanços nos cuidados neonatais, pela ampliação da cobertura de assistência à criança no primeiro ano de vida, ocorrido nas últimas décadas nos hospitais dos grandes centros e do interior do país, além da elevação das condições socioeconômicas da população. Porém, esses mesmos fatores provocaram uma situação paradoxal, pois a maior sobrevivência de bebês de risco está associada a aumento da morbidade, como sequelas no neurodesenvolvimento, gerando uma nova demanda para o pediatra e demais profissionais da saúde e, mais adiante, uma repercussão do desenvolvimento escolar dessas crianças.

 

Atraso do desenvolvimento infantil

O atraso do desenvolvimento infantil está associado a várias condições da infância, como síndrome de Down, Paralisia Cerebral e Autismo. Também pode ser uma condição transitória, não sendo possível definir qual será o desfecho do desenvolvimento da criança, o que pressupõe o acompanhamento com avaliações periódicas.

Mas o que significa ter um atraso do desenvolvimento? Pelo Dictionary of Developmental Disabilities Terminology,4 atraso do desenvolvimento é uma condição em que a criança não está se desenvolvendo e/ou não alcança habilidades de acordo com a sequência de estágios pré‐determinados.

Na prática, o médico nem sempre conta com instrumentos adequados, o que inclui testes válidos e confiáveis de desenvolvimento, ou com o suporte de equipe interdisciplinar que colabore para o diagnóstico. Além disso, medir o atraso do desenvolvimento exige habilidade de reconhecer que as trajetórias do desenvolvimento são invariavelmente individualizadas, havendo variações dentro do que pode ser aceito como ‘típico’ e ‘não típico’,10,11 o que implica na necessidade de contato mais prolongado para se conhecer o contexto de vida da criança.

Nesse panorama, a escola e toda sua equipe de profissionais tem um papel fundamental, pois nesse ambiente estruturado, que a criança passa, frequentemente, muitas horas do dia, pode contribuir com dados observacionais riquíssimos.

Porque se temos uma certeza é de que um CID não é essencial no trabalho a ser realizado! Todos os profissionais devem intervir nas condições apresentadas pela criança, garantindo seu pleno desenvolvimento.

 

Suporte pedagógico e assistência escolar

E como podemos pensar em todo suporte pedagógico ou assistência escolar que a criança deve receber?

Legalmente, deve ser oferecido a todos as adequações e as adaptações curriculares que forem necessárias para seu pleno desenvolvimento pedagógico. Assim, na rotina, a partir das avaliações específicas, adequar e adaptar o currículo é fundamental.

 

Inclusão Eficiente

Na Inclusão Eficiente oferecemos cursos, treinamentos, assessoria escolas e consultorias individualizadas em diversas áreas, mas é justamente em adaptações curriculares a maior demanda, seja nos cursos, consultorias ou programas para as famílias.

Isso para nós é motivador, porque há poucos anos havia uma sensação de que bastava a criança estar na escola e agora já se percebe que é preciso pensar em demandas específicas para o desenvolvimento. E quanto antes a gente pensa nisso, melhor.

Não é preciso que a criança sofra por não acompanhar um padrão, é preciso garantir seu desenvolvendo respeitando sua individualidade e a escola pode e deve fazer isso. Além de estar garantido por lei, é a oportunidade de pensar em objetivos a curto, médio e longo prazo, sempre com foco em autonomia. A demanda por adaptações curriculares nos mostra que estamos caminhando para respeitar e valorizar as várias formas de aprender e o desenvolvimento de cada criança. A cada dia um novo passo em prol da inclusão de verdade, seguimos fazendo a nossa parte e celebrando as conquistas para todos!

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela está a colunista Vanessa Madaschi. Ela é uma mulher loira e está com uma camisa preta com detalhes brancos. A imagem tem um recorte de perfil. Fim da descrição.
Foto: Jansey Oliveira

*Vanessa Madaschi é Terapeuta Ocupacional, mestre e doutoranda em Distúrbios do Desenvolvimento. Atua na Inclusão Eficiente em São Paulo.

 

 

 

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