Será que as novas tecnologias vão substituir as pessoas?

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. A imagem da tela de um computador. Nela, vemos um profissional desenhando novos sinais para o avatar da Hand Talk. Ao fundo vemos a imagem desfocada de um outro profissional. Fim da descrição.
Novas tecnologias: Hand Talk conta com equipe especializada para dar vida ao avatar de tradução (Foto: Divulgação)

Por: João Vitor Bogas*

Em qualquer processo de mudança é natural que haja resistência. Mudar, muitas vezes, é mexer com a nossa identidade e isso pode gerar desconforto. O surgimento de novas tecnologias transforma o nosso dia a dia constantemente e às vezes é difícil assimilar os novos contextos.

A inovação é uma faca de dois gumes. Se, por um lado, pode gerar esse medo do desconhecido, por outro, abre espaço para possibilidades incríveis. Vamos usar o Skype como exemplo. Muita gente usa o programa de videochamadas para manter contato com a família, quando preferiria estar ao lado dessas pessoas fisicamente. Mas e quando isso não é possível? Não é muito bom poder matar a saudade, mesmo que de uma forma mais simples?

 

Novas tecnologias inclusivas

Quando a gente junta a inovação com a acessibilidade, então, a discussão fica ainda mais complexa! Estamos falando de quebrar barreiras entre as pessoas, um assunto que já não é muito abordado. Imagina só, colocar inovação tecnológica no meio disso! Muita gente pode achar estranho, não é mesmo? E é isso que acontece com algumas pessoas quando conhecem tecnologias assistivas inovadoras como a Hand Talk.

A mudança gera uma resistência. E a gente vai te mostrar porque essa resistência não faz muito sentido!

 

Qual é o problema das inovações?

O maior medo das pessoas quando falamos de inovações radicais é a ideia de que a tecnologia vai substituir as pessoas. Muita gente acredita que isso nunca vai acontecer, mas tem várias tarefas que antigamente eram manuais e que agora são automáticas. É só pensar nos cartões de crédito, compras online, serviços bancários…

Porém, isso não significa que tudo o que os seres humanos fazem vai ser feito por máquinas no futuro. O ponto realmente importante é outro: em quais lugares só dá para chegar com a tecnologia? É como no exemplo anterior do Skype. Uma conversa à distância é sempre diferente de uma cara a cara. Mas quantas pessoas deixariam de se falar se não existissem videochamadas?

O problema está nessa diferença: não é porque a tecnologia faz a mesma coisa que um ser humano que ela vai substituí-lo. A ideia da tecnologia é facilitar a vida das pessoas, ou fazer aquilo que elas não podem ou não conseguem. Ou ainda, fazer a mesma coisa de um jeito diferente, que alcance mais pessoas e seja mais simples!

E é nisso que a gente acredita aqui na Hand Talk!

 

Tecnologia pela acessibilidade

Como foi para você conhecer o Hugo, o intérprete virtual da Hand Talk? O jeito simpático dele e a novidade que ele representa sempre chamam a atenção. Na maioria dos casos, principalmente para quem nunca ouviu falar em Língua de Sinais, o efeito é a curiosidade e um incentivo para se conhecer mais sobre a comunidade surda. Mas, no caso de algumas pessoas que já estão acostumadas com o assunto, pode surgir uma resistência.

É o medo de que o Hugo substitua os intérpretes de carne e osso. Só que esse não é o propósito dele! O ponto é justamente chegar onde os intérpretes não conseguem. Imagina o trabalhão que seria se todos os conteúdos dos sites em português (que são incompreensíveis para a maioria dos surdos, que falam outro idioma) tivessem que ser traduzidos por intérpretes um por um, manualmente? Seria impossível!

Mas, com o Hugo nos sites, a acessibilidade digital em Libras é uma realidade. Mesmo que ele seja diferente de um intérprete de carne e osso. O mais legal é que o Hugo vai ficando cada vez melhor nas traduções conforme mais gente pede para ele traduzir! Assim, as diferenças vão ficando cada vez menores!

A inovação está no DNA da Hand Talk. Não é a toa que o nosso fundador, o Ronaldo Tenório, foi premiado pelo MIT como um dos jovens mais inovadores do mundo pela criação do Hugo. A gente acredita que a tecnologia é um dos caminhos para um mundo mais acessível, e ela só vai trazer frutos quando todo mundo confiar no poder de transformação que ela tem. É só ler uma das nossas histórias inspiradoras com o Hugo, para perceber que a tecnologia nos leva muito mais longe!

E, no final das contas, a gente quer uma mudança: mais acessibilidade!

Bora mudar as coisas com a gente?

 

Descrição da imagem #PraCegoVer. Imagem no formato quadrado. Nele, está uma imagem em close de João Vitor Bogas, autor do texto. Ele é um rapaz moreno, com pele clara. Ele tem cabelos castanhos lisos e compridos. João está usando uma camisa xadrez nas cores banco e azul. Ele usa óculos e está sorrindo. Fim da descrição.
Foto: Jansey Oliveira

*João Vitor Bogas é um estudante de administração apaixonado por gestão de pessoas e acessibilidade, e é responsável pela área de conteúdo da Hand Talk, o maior aplicativo de tradução automática para Língua de Sinais do mundo.

 

 

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